Ditongo centralizante - sempre abre?

tl;dr sou falante inovativo? vocês já ouviram outro carioca que fala como eu? se você é de Porto Alegre, de outros lugares do RS com ditongação ou das partes de Portugal onde se fala assim, como são esses ditongos onde você vive?

EDIT: trocando em miúdos, eu estou na minoria extrema por falar áâ, éâ e óâ ao invés de éá e óá?

Uma coisa que me irrita na pesquisa fonética e fonológica do português é que existem inúmeras nuances da nossa pronúncia que não geram interesse em serem catalogadas como fenômeno por não possuírem valor fonêmico.

O português cobre uma vasta extensão territorial e possui inúmeros dialetos. Então é sempre muito chato que existam páginas na Wikipédia descrevendo alofones raros no inglês, no sueco, no francês ou no espanhol, mas a gente tenha que se limitar ao arroz com feijão de só ajudar as pessoas com [tʃi] e [dʒi].

Um exemplo, o éle /l/ do Rio de Janeiro e vários outros estados em /li/ começa com a dita pronúncia velar corcunda (bunched velar) ou molar, que no inglês é um dos alofones identificados pro /r/, ocorrendo ao menos nos EUA e na Inglaterra.

https://en.wikipedia.org/wiki/Voiced\_velar\_approximant

E ao contrário do [ɹ̈ˁʷ ~ ɰ˞ˁʷ] do inglês, que soa praticamente idêntico ao /r/ coronal [ɹ̠ˠʷ] (pronunciado logo atrás dos dentes superiores), a falta de aquisição do /li/ [l̝̈͢ˁʎ̪̝i ~ ʟ̝˞͢ˁʎ̪̝i] sudestino imediatamente denuncia o sotaque de uma pessoa como não sendo originária daqui. Isso se torna ainda mais bizarro quando nos damos conta de que há fonoaudiólogos atendendo a pessoas vindas de outras partes do Brasil buscando uma redução de sotaque (não vou entrar no mérito ou na problemática disso). Outro que também potencialmente denunciaria alguém como não-carioca é usar-se o [ʃ ʒ] pra fazer o som do chiado, que na verdade é sempre [ɕ ʑ], mas nunca é descrito como tal nos artigos.

Felizmente, não é o caso dos ditongos centralizantes do sotaque carioca:

Um estudo acústico dos ditongos centralizantes na fala carioca

https://periodicos.ufsc.br/index.php/workingpapers/article/download/1984-8420.2018v19n2p6/38536/213060

O que esse estudo explica é que a gente realiza muitos ditongos na direção de um [ə] — ou [ɐ], como eles escolheram para representar, seguindo a tradição da linguística luso-brasileira — em inúmeros contextos, geralmente (mas não sempre) em sílaba tônica.

Isso é muito bom, já que é uma alofonia, nós não fazemos conscientemente, mas a sua adoção correta por pessoas que não falam nosso sotaque de forma nativa lhes ajudaria no processo de redução de sotaque, caso queiram fazê-lo. OU, de maneira muito mais provável, talvez precisemos adquirir uma língua estrangeira onde esse tipo de off-glide seria interpretado como segmento com valor fonêmico, como no alemão /ʁ/ ou nas variedades não-róticas do inglês, em que ele possui valor equivalente ao /r/ coda nos róticos. Ou caso nós por nossa vez busquemos uma redução de sotaque num contexto lusófono, por exemplo sendo diaspóricos em Maringá, Curitiba, Florianópolis, Gramado ou Portugal.

Mas o que me deixa encucado é que aparentemente ele só mostra essas pronúncias:

[iɘ̯ ~ iə̯] [ɪë̯] [e̝ə̯] [uȗ̞] [oə̯] [ɛ̝æ̯] [ə̃ɜ̯̃] [ɔ̝ɒ̯̽] com o off-glide das vogais anteriores na verdade sendo bem anterior, e das posteriores sendo bem posterior.

Em todos os casos, parece que os ditongos sempre mostram vogais se abrindo?

Mas no meu idioleto, que vocalicamente se assemelha ao do Cabo Daciolo, as vogais fechadas se abrem e as abertas se fecham.

/a/ [äɐ̯] karma, quadrado, cabra, candelabro, Pablo, lago, taco

https://voca.ro/11r1KStRqqxi

/ɐ̃/ [ɜ̃ə̯̃(ɰ̃)] tantã, canto, pan (de pansexual ou panromântico), clã   

https://voca.ro/1nj3OyiQGOLJ

/ɛ/ [ɛɛ̯̽] erva, pressa, quero, tetra, quebro, Lego, Leleco

https://voca.ro/1kBhXoOftIFf

/ɔ/ [(ɔ̝̑/ʕ̞ʷ)ɑ̽ꟹʌ̯̈] horta, obra, toga, toca

https://voca.ro/17j5UqAmQRdz

/ɔ/ [(ʷ)ɔə̯] poda, pode, agora, copra, cobre  

https://voca.ro/1bfSMipgmVgI

/ẽ/ [ẽ̞ə̯̃(ɰ̃/ɉ̃)] entra, Enzo, penso, fenda, penca, lengalenga, membro

https://voca.ro/1fyXseWT31qc

/õ/ [õ̞ə̯̃(ɰ̃)] onça, onze, onda, ombro, compro  

https://voca.ro/18ZofyeErGWx

/e/ [ee̯̽] terça, madeira, letra, recebo, chamego

https://voca.ro/1nxxM3FO62X9

/o/ [oɤ̯̽ꟹ] porto, poço, coro, goto, outro, roupa    

https://voca.ro/15EPHUTAaMxD

/i/ [iɪ̯] pira, Irma, Quito, víbora

https://voca.ro/1ifjEGvghavP

/i/ [iɘ̯] lira, consigo, tico, tribo

https://voca.ro/1aTzfIl59Ljo

/i/ [(j/ʔ)ɪ(j)] ida, ilha, isso, isca, pista

https://voca.ro/15iYbFfXOG9I

/i/ [ɪɘ̯] Rita, periquito, contigo, lilás

https://voca.ro/1b3RxzzC30cf

/u/ [uʊ̯] curto, upa, jura ([ʉ̠ʊ̯]), poodle

https://voca.ro/159PmmGNOCqI

/u/ [uɵ̯]? surto, Guto, ubre

https://voca.ro/1o0FRqCK18bY

/u/ [(w)ʊ(ö̯)] turma, turno, urso, cura

https://voca.ro/18efr0kZx6KD

O /ĩ/ e o /ũ/ vou ficar devendo, eu não consigo pensar em contextos onde eles puxem muito um off-glide centralizante.

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u/nofroufrouwhatsoever — 4 days ago

Mais alguém pronuncia "um" como [n̠̍]?

No português brasileiro coloquial, a gente pronuncia os verbos no infinitivo como se o r final deles não existisse. Cumê um pedaço de bolo. Afagá um animal. Te falá um negócio. Chamá um amigo. Em todos esses exemplos, o meu /ũ/ é o [ʊ̃] normal.

Porém, se eu me forço a produzir o [ɾ] que seria pronunciado ali em outras variedades, o /ũ/ primeiramente é sempre mais avançado na boca [ʊ̃] → [ʊ̈̃] (sim, mais próximo do ü do alemão) caso continue a ser pronunciado como vogal, mas muitas vezes ele se assimila pro local de articulação do [ɾ] e vira uma consoante silábica.

E ela é tão silábica que acaba gerando epêntese se a próxima palavra começar com vogal. Comernn wovo. Chamarnn wamigo. Conhecernn wegípcio.

Pode parecer que é o um [ʊ̃] normal virando [w̃], mas esse [w] epentético que vem depois já é muito menos nasalizado, como podem ouvir principalmente no "comer um ovo":

https://voca.ro/1lOlARohjr6M

Eu acho que a diferença é praticamente inaudível, mas a articulação é bem diferente.

Eu queria saber se é assim que funciona pra outras pessoas.

Outro exemplo é pronunciar não sei como [ˈn̪n̠̍ˠ ˈsej]. Ligeiramente relacionado, pronunciar com ele como [kŋ̍ ˈelɪ].

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u/nofroufrouwhatsoever — 17 days ago

Umlaut — mais alguém pronuncia /a/ tônico como â em sílabas ORAIS?

Se você já ouviu alguém falar com o sotaque do Rio de Janeiro, deve ter notado que a gente muitas vezes realiza um ditongo centralizante (isto é, em direção ao schwa [ə]) após quaisquer dos fonemas vocálicos do português, geralmente em sílabas tônicas (mas não em todas elas!). Fenômeno que compartilhamos com Porto Alegre (e alguns falantes do português europeu, não saberia a regionalidade por lá).

https://periodicos.ufsc.br/index.php/workingpapers/article/download/1984-8420.2018v19n2p6/38536/213060

O que ninguém diz é que a gente, ao tentar suprimir isso, cria um monotongo distinto do original, mais centralizado.

"Isso" /ˈisu/ [ˈiɘ̯sʰʊ̤] → [ˈʔɪsˠʷ], ou seja, usando a vogal do inglês em it, bit, quit, ship pro /i/ do português.

Também ocorre com o u em "urso" /ˈuʁsu/ [ˈuɵ̯xsʊ̥] → [ˈwʊxsʊ̥] → [ˈʊhsˠʷ].

Eu ouço essa pronúncia na fala de várias pessoas, não todas, mas é algo muito comum.

Mas o que eu estou em dúvida é se outras pessoas também assimilam o "i" epentético que vem antes do /s/ em final de sílaba, aquele em paz, pés, três, cós, arroz, luz.

Por exemplo, "os dois", para não falar [ʊjʑ ˈdojɕ], eu falo [ʉ̞ʑ ˈdojɕ]. E em arroz eu também teria [ɐˈɦɤ̈ʏ̯̽ɕ].

Se eu simplesmente suprimisse o "i", soaria errado, como se eu estivesse falando pache, péche, trêche, cóche, "A roxo", luxe.

E eu notei que eu não gosto de fazer esse "i" em as/às, então acabo pronunciando o /ɐ/ em "as" de forma bem fechada como [ə ~ ɘ], mas o /a/ em "às" também é fechado, sai [ɜ ~ ɐ], ou seja, "saiu às pressas" soaria como "saiu âs pressas".

Mais alguém faz isso? E... falei em voz alta e também faria isso em "faz".

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u/nofroufrouwhatsoever — 1 month ago

Fergie Chambers a ser extraditado para os EUA

Há alguns dias, Fergie Chambers foi detido por ordem do Governo espanhol, em cumprimento de um pedido de extradição apresentado pelos Estados Unidos.

Chambers é um homem rico, nascido no seio de uma família abastada, que envia milhões de dólares para grupos pró-Palestina e iniciativas anti-imperialistas em todo o mundo. Também apoia muitos milhares de palestinianos em Gaza. Por causa disso, está a ser acusado pelos Estados Unidos de «financiamento do terrorismo», uma acusação manifestamente infundada para a qual não apresentaram qualquer prova.

A Espanha apresenta-se publicamente como um país «pró-Palestina», mas, à primeira oportunidade, faz a vontade dos Estados Unidos. O lado positivo é que poderá ainda haver uma hipótese de travar esta extradição se o caso receber atenção suficiente para prejudicar a falsa imagem «pró-Palestina» do governo de Sánchez. Ao contrário do que acontece noutros países europeus, onde iniciativas para impedir isto seriam verdadeiramente desesperadas, aqui penso que ainda pode ser possível — mas É PRECISO QUE AS PESSOAS SE ENVOLVAM.

Se está em Espanha, por favor considere procurar manifestações de apoio a Fergie Chambers perto de si e pressionar os seus representantes para se pronunciarem sobre este caso. Ele encontra-se detido em Ibiza, pelo que poderá ser difícil deslocar-se até lá para participar com tão pouca antecedência.

"E de que forma isso é relevante aos portugueses?"

Creio que no contexto maior do sufocamento financeiro que foi imposto ao jornalista Hüseyin Dogru em circunstâncias similares em maio de 2025 e de sua mulher em março de 2026 (eles têm três filhos, e até a mãe dele sofreu sanções por um momento), e no voto que passou o Chat Control à força, é algo impactante aos interesses de todos os cidadãos da União Europeia, bem como de quem tem família e amigos aí.

u/nofroufrouwhatsoever — 1 month ago
▲ 947 r/Recife+3 crossposts

primeiro campeonato de farmar aura em Pernambuco

Estado brasileiro mt mais a frente do que os outros do país. amo meu PE!!!

u/Douglaspicapau — 2 months ago

Ausbauing Low German and Swiss German under standard German is more gross than ausbauing Portuguese, Spanish and Italian under Neolatino. In fact "German" is a gross misnomer and they should pick new names like the Arpitans did.

u/nofroufrouwhatsoever — 2 months ago

É uma violência epistêmica ser obrigado a conviver com sneeds, e ela fez eu achar que sou homem cis

Nas comunidades trans e não-binárias, é comum a intersecção com autismo, TDAH, borderline e C-PTSD (transtorno de estresse pós-traumático complexo).

Devido a várias razões neuropsiquiátricas que não são o foco do meu post (e falo como alguém que tem autismo e TDAH, e que tinha gatilho de ansiedade ao levar unfriend no Facebook), isso cria espaços extremamente preciosistas onde a presença de pessoas vistas como preconceituosas ou negativas é imediatamente combatida, porém a definição deles dessas coisas é sempre tão extremamente frutinha e fora da realidade, que se tornam echo chambers extremamente propensos à cultura do cancelamento.

Essa cultura onde você se acha um wholesome chungus por ser extremamente inofensivo, a ponto de você ser um problema político, foi apelidada de forma humorística por mulheres trans do 4chan de sneed, em redução de special needs, necessidades especiais. Mas o termo acabou se consolidando devido à forma como é um problema recorrente.

Muito antes disso e com um tom bem sóbrio, Julia Serano discute a cultura do cancelamento como um risco existencial extremamente grave para mulheres trans em seu icônico livro Whipping Girl — são abandonadas ou sofrem violência direta da sociedade, mas são chutadas de suas supostas comunidades por não serem perfeitas, cobradas a um nível muito mais extremo que outros grupos.

Um certo pensamento proto-TERF (feminista radical transfóbico) é muito comum na mentalidade de mulheres cis, homens trans e pessoas não-binárias entendidas como sendo do sexo feminino e atribuídas ao gênero feminino ao nascer (vou chamá-las de DFAB [deemed female at birth] daqui em diante; eu, no caso oposto, sou não-binário DMAB) devido a uma vida inteira de traumas sofridos por parte de homens cis, e muitas vezes eles direcionam isso na direção de pessoas DMAB não-cis.

A análise de Julia postula uma transmisoginia, uma opressão única a ser uma pessoa DMAB feminina que não é homem cis (ou transfeminina), onde além de todo o foco com intenção por vezes exterminadora da cultura geral cisheteropatriarcal quanto às mulheres trans, travestis e pessoas com demais experiências de gênero alinhadas a essas, existe também o desinteresse de mulheres cis hétero e do resto da sigla arco-íris em prezar pelo seu bem-estar, afinal não é problema deles, e em contribuir com ideologias que te vilifiquem.

Sendo bem claro, EU não sofro transmisoginia diretamente. Não porque nenhum não-binário sofre, mas é que eu não sou transfeminina. Eu tenho uma identidade de gênero muito, muito, muito complicada, quando eu fiz uma equação dela em 2017 deu várias linhas de terminologia do Tumblr, um atrás do outro, mas no seu centro e num resumo extremamente grosseiro, eu não me sinto contemplado nem pelo feminino, nem pelo masculino, pelo menos na minha essência.

Eu comecei a me sentir mais masculino conforme os anos passavam talvez ao envelhecer e sofrer ação dos hormônios, talvez por autoandrofilia por excesso de bara e norpo gay, mas principalmente por notar que os sneeds da comunidade não-binária têm inúmeros defeitos de personalidade que o patriarcado sempre atribuiu a mulheres (ser maria-vai-com-as-outras, ser normie raso pra caralho, deslealdade, se fazer de vítima por tudo, falsidade, dar chilique porque é contrariado num A, não aceitar quando perde um argumento, não ter boa fé em relação a uma pessoa que você não gosta, julgar os outros por aparência e status, falta de senso crítico, falta de auto-crítica, necessidade constante de aprovação externa) e que, quanto mais transparentes eles ficavam, mais eu ficava feliz por ser biologicamente testicular-wolffiano e ter sido criado como homem?

Esse "você ter sido criado como homem", que inclusive, é sempre esfragado na cara de pessoas DMAB não-cis como se fosse nossa culpa, nossa escolha, algo ao alcance do nosso controle, e algo que indiretamente indica quem deve ser ouvido e quem tá errado. Então eu não comecei a ter esse sentimento por ser mau-caráter, foi uma revolta, um despeito e um rancor que foi alimentado ao longo de anos.

E óbvio, como pessoas não-cis não-impactadas por transmisoginia (TME, transmisogyny-exempt) guardam rancorzinhos fúteis, elas se tornam candidatas ideais a aliciamento ideológico por parte de TERFs, às vezes não por trauma apenas e sim por mau-caratismo vindo de uma pessoa que já tinha arcabouço pra ter racionalidade quanto à questão. E aí escolhem o tipo de transfobia que elas endossam (afeta quem elas odeiam), e as que condenam (a que bate na bunda delas). Com não-binários que não fazem absolutamente nada além de falar que são nb (como eu...) isso é um passe livre pra concordar com quase tudo, já que basicamente são como mulheres cis, só usando outro nome e outro pronome.

Inclusive, daí foi cunhado o termo theyfab para descrever esse tipo de pessoa. Mas ele acabou se generalizando e agora usam ele pra qualquer pessoa não-binária DFAB. O nofroufrouwhatsoever de 2013-17 acharia isso o cúmulo do absurdo, misgendering, hipocrisia, etc. mas o atual eu acha que... se você pertence a essa categoria, à luz de todas as coisas ruins que acontecem com pessoas trans ao redor do mundo e da fadiga que isso gera, têm o direito de achar ruim e ofensivo e mandar quem chama você disso ir se foder... mas se você tenta cancelar a pessoa falando que é transfobia, você tá sendo um sneed idiota e inconsequente. Inclusive as pessoas podem me chamar de menby e theymab e eu nem tchum. Aliás, acho esse estereótipo de não-binário performático histérico um perigo existencial tão grande pra sigla no momento histórico que vivemos desde que a luta por direitos trans se tornou numa treta mainstream, que eu decidi por volta de 2019 com então 24 anos aceitar ser chamado de homem cis.

E aí surgiu a pulga atrás da orelha. Eu parei de sentir disforia física com 19 anos. Eu parei de ter gatilho se as pessoas invalidam meu gênero com 23. Eu comecei a identificar traços de personalidade meus como fundamentalmente masculinos. Eu comecei a desprezar traços de personalidade em pessoas DFAB que eu via como femininos — eu sempre senti um certo cringe com aquele estereótipo de gay afetado camp e morria de medo de me verem daquele jeito ao mesmo tempo que tinha náusea quanto a masculinidade hegemônica (possível razão pela qual o "centro" do meu gênero é neutrois misturado com maverique, dois gêneros diferentes que são ao mesmo tempo desmasc e desfem) —, me tornando aquilo contra o qual eu sempre jurei lutar e provando o ponto de quem me chutava, odiava e excluía. Eu passei a querer que me reconhecessem como diferente *deles*. Porra, eu acho que VIREI homem cis. E aos poucos comecei a falar que sou homem cis e não-binário, que sou [ex-] não-binário, mas muito insatisfeito em não poder dar contexto. Porque querendo ou não, a minha bagagem é completamente diferente da de quem sempre foi homem cis binário.

Nada disso me impediu de querer, entretanto, continuar participando de discussões como uma pessoa com algum conhecimento de causa da comunidade trans. Sendo sempre muito respeitoso com mulheres trans e homens trans, e usando da minha "imunidade" da auto-libertação ao me proclamar abertamente homem cis mesmo, podendo cortar sneeds não-binários que forcem a barra. Mas ninguém quer saber exatamente da minha bagagem. Pessoas transfemininas estão exaustas com transmisoginia de todos os lados e não querem saber se eu sou um homem cis bi legalzinho e justo, elas vivem no mundo delas. Não-binários sentem cringe e me veem como alguém que traiu o movimento. Homens trans veem "that's nice... I guess?" e seguem em frente. E isso meio que me destrói.

E aí surgiu a lâmpada na minha cabeça. Eu nunca odiei feminilidade. Eu sempre odiei gente escrota, que proporcionalmente é maior ou mais danosa entre homens cis, e sneeds, que são mais numerosos ou mais danosos entre pessoas de vivência e/ou neuroendocrinologia feminina. Eu acabei caindo numa armadilha de estereótipos de gênero. Mas eu acho que não é minha culpa. A gente realmente deveria poder mandar "tu é um sneed de merda, vai tomar no seu cu".

Eu não sou um homem cis. Eu sou só um não-binário DMAB edgy. Precisamos acabar com a opressão dos sneeds contra os edgy.

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u/nofroufrouwhatsoever — 2 months ago
▲ 626 r/RAIwojaks

You'd be surprised how topical this jak is, over and over

It's not very incomprehensible but people often get ragebaited by intracommunity jargon

u/nofroufrouwhatsoever — 2 months ago

Portugueses são viciados em pauta americana, brasileira, alemã, italiana, francesa, suíça, canadense

Toda vez eu vejo algum sub de português falando de um problema importado da PQP, coisa que nem existe lá ou aqui, como um grande mousse ridículo, e eles usam isso também pra destilar preconceito. Meu filho, é tédio? Vai caçar uma receita de bacalhau pra fazer

u/nofroufrouwhatsoever — 2 months ago

Is Brazilian Portuguese developing /j/? [need help from 🇵🇹 speakers btw]

As many of you know, a stressed final syllable ending in /s/ in many dialects of Brazilian Portuguese leads to an epenthetic yod.

Pás/paz [ˈpäjs]. Rés [ˈhɛjs]. Vês/vez [ˈvejs]. Sós [ˈsɔjs]. Luz [ˈɫ̪u̟js].

We employ [j] [w] mostly for the sake of simplicity, I don't think any linguist has declared a need for us to analyze diphthongs as independent phonemes in Portuguese as opposed to sequences of two vowels.

Sure, you may argue, [w] and [j] between a consonant and a vowel are generally best understood as consonant clusters rather than as "rising diphthongs", the terminology we are taught in school.

But the thing is, we don't have any minimal pair justifying /w/ beyond rio /ˈʁi.u/ (river) and riu /ˈʁiw/ (he/she/the sir/the ma'am/you/we all laughed... because why make life complicated) that isn't otherwise covered by theoretical */kʷ/ */ɡʷ/. (Some speakers lack a rio/riu minimal pair, too, but that's not the case in the [js] zone.) Before non-velar consonants, we may break all instances of [wV] into [ʊ.V u.V ʊw.wV uw.wV] etc. in free variation.

But there's absolutely no /i/ vs /j/ minimal pair... that I know of, so far. I have said it in this sub, in fact. Maybe if you analyzed our marginal /tʃ/ in tchau, tchutchuca, etc. as /tj/, but you'd definitely be pushing it (for one, Portuguese people being inclined to simplify it to /ʃ/ as it's been done to our historical native /tʃ/ from historical evolutions from Latin doesn't help that argument).

In the last 3 days, though, something funny happened to me. Cabo Verde is in the World Cup and they are playing basically with an amateur team. They managed a tie against Spain. The most legendary is their goalkeeper, Vozinha. Reading it, I thought his nickname meant "high-pitched voice", or "quiet voice". But his voice is actually rather deep, and not very quiet either. Apparently, he was raised by his grandmother, leading to the nickname being actually "little grandma".

I pronounce those differently. High-pitched voice would be [vɔɪ̯ˈzɪ̃j̃ə]. A not totally standard pronunciation that people might try to suppress even if it's natural for them, mind you. Little grandma, [vɔˈzɪ̃j̃ə].

It's easy to analyze [vɔˈzɪ̃j̃ə] as /vɔˈziɲɐ/. But what phoneme does the [ɪ̯] segment in the other word represent? Clearly it's no longer just epenthesis if it's communicating a difference in meaning.

Is it /vɔsˈziɲɐ/? Should [js] be counted altogether as /s/, meaning if you bring the first element elsewhere, that counts as the whole phoneme?

Clearly it's not /vɔiˈziɲɐ/. Because if you inserted a hiatus in there, you'd get vó Isinha, "grandma Isinha". It has to specifically be pronounced as a yod.

Any argument against /vɔsˈziɲɐ/ would lead us to a theoretical */vɔjˈziɲɐ/. But I feel like if it was /vɔsˈziɲɐ/, this would lead to European Portuguese speakers having a [vɔˈʒɪ̃ɲə] ≠ [vɔˈzɪ̃ɲə] distinction, and this doesn't seem to be the case? Even in rare dialects where people do liaison with [ʒ] ([ʑ?])? Unless you determine that the /vɔsˈziɲɐ/ form is a Brazilian innovation.

And if we're innovating, should we double down and aim for the use of [j] for plurals like in Esperanto? We can't be bothered to use [s z ɕ ʑ] all the time, but I guess [j] is doable...

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u/nofroufrouwhatsoever — 2 months ago

Anyone else likes guys' butts but you hate the way people pose for hole pics?

It's like a curse. I will notice every other guy's ass and obsess about straight guys and tops who have it phat, and of course I'd want to get inside them too, but if you actually try to call attention to your ass, it will feel like you're demeaning yourself trying to act submissive and breedable. If you act like a bottom it's like you're already being fem to me, and I lose interest.

​

Anyone else has this mental illness?

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u/nofroufrouwhatsoever — 2 months ago

Is [ˈwʊ(r?)stə(r?)ʃə(r?)] broad transcription with some added English arrogance and you're actually supposed to pronounce it [ˈwʊɚ̯.ss̩.tɚ.ˌʃɚ] in North American English?

If it's Woostashire why spell it like that? I will pronounce it Worcestershire. I don't care.

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u/nofroufrouwhatsoever — 3 months ago

Brazilians raised as boys: were you asked to say chiclete by your peers at a young age? Please state your age and try to describe something about your regional accent

Carioca, 31, yes, at ages 8, 9, 12 and 14.

Do you pronounce x/ch/j before á, ã, é, ê, i and ge/gi with the tip of your tongue pointing at your upper teeth or at your lower teeth/gum? And if you pronounce ti and di as if they were "tchi" and "dji", what's the shape?

In my case I have x/ch and j/g with the tip of my tongue pointing at the upper teeth (/ʃ/ [ʃ] /ʒ/ [ʒ]) before grinning or smiling vowels (/a ɐ ɐ̃ ɛ e ẽ i ĩ/) — but pointing downwards to the gum, making my tongue form a dome shape (/ʃ/ [ɕ] /ʒ/ [ʑ]), before rounded "biquinho" vowels (/ɔ o õ u ũ/). You also make the dome for the chiado sound (/s/ at the end of a syllable pronounced "as if it was a [Brazilian] x"). Ti and di for me are generally the "sorriso" [tʃ] [dʒ] instead of the "biquinho" [tɕ] [dʑ].

People younger than me in Rio de Janeiro are more likely to use the biquinho [ɕ] [ʑ] sound for everything instead, which definitely sounded feminine in the 2000s, and I wonder if it's because there's less bullying (or less socialization in real life in general?) now.

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u/nofroufrouwhatsoever — 3 months ago

[HELP] my native language is developing a new phonological process and I hate it

Loss of /ʒ/ in Brazilian Portuguese as [ʑ → ç → x~h] might be happening in the next 300 years! I don't want my great-great-great-grandchildren to just speak nonsense Spanish, whether it's in a sci-fi or a post-apocalyptic dystopia!

Previously, debuccalization of coda /s/, of /v/ and of /ʒ/ was restricted to certain mostly rural registers of Northeast Brazil, and "rr" becoming [x χ h] in practically the whole country in a certain way halted the /v/ and /ʒ/ versions from spreading. The coda /s/ one otoh spread throughout Brazil, which is why you now may hear mesmo as [ˈmeɦmʊ] here in Rio. It's cute and doesn't do any damage. The OG ones might even pronounce it as [ɹ̝̊ ~ ɻ̝̊] which is 100 aura.

The thing is that I am now hearing SOUTHEAST Brazilians who employ [ɕ ʑ] for all positions of /ʃ ʒ/ pronounce gente as [ˈçẽ̞j̃t͡ʃ]. I was feeling whatever hearing it from paulistas for at least a while because they say "pra eu vim" (vir) and "quer que eu faço?" (faça)... but ... it happened... I heard ryente from a carioca YouTuber that I absolutely adore...

And it's all happening because Gen Z in this city is indeed losing the isqueiro-chiqueiro minimal pair like outsiders say we lack. No. Wtf. /ʃ ʒ/ ARE [ʃ ʒ] before unrounded vowels (like the [ɪ̥]/underlying /i/[∅] in chiqueiro)!!! When I was a child in the 2000s only women from certain favelas had the Minas Gerais and São Paulo [ɕ ʑ] everywhere situation! It sounds excessively childish, like going out of your way to be kawaii, hence their nickname "nem" (babe)!

It never happens to [ɕ] because /ʃ/ is produced a little longer than /ʒ/ and quite frankly it's weakly aspirated just like /p t k s/. Or, at least here in Rio, I feel like they are. If you're Brazilian, put your hand ahead of your mouth saying saco, porca, sujo, cuia and chato (strong puff of air from /p t k s/), then say mulher, lerdo, guerra and bigorna (air will come out warm where we have /ʁ/ but the rest of the word will not produce puffs), notice we may have breathiness in final unstressed vowels that feel just like the [ɦ] in bigorna and even the sonorants and /ʒ/ preceding them, sujo for me is [ˈsʰuʊ̯ʑ̊ʱʊ̤]. (OTOH, my /z/ doesn't get breathy.)

So we are safe from outright turning into Spanish. It seems this never happens to voiceless consonants.

But... why? Can't we develop a Great Vowel Shift with [ʉ ~ ʏ] instead so we sound really annoying, pretentious and French? Do we always need to be easily confused with our neighbors? Have we been angry at gringos for saying Rio de Haneiro (in their languages [not Spanish], trying to act cultured!) for nothing????

And if you're hispanohablante, Swedish or whatever other language that lacks anything like [ʒ] and new to Portuguese, well, try [ç] for /ʒ/. It sounds better than the devoiced sibilant, in fact I think I am the only one noticing people are now talking like that. 😐 The [ʃ̬ ~ ɕ̬] y'all use is too long and effortful, to the extent that it's jarring. "You still couldn't vibrate your vocal cords in time? Poor dear". No hate, my /r/ is almost always [r̥ː] and might sound jarring to you too.

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u/nofroufrouwhatsoever — 3 months ago