Fragmentos sobre amor, apostas e (in)conformidades
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Fragmentos sobre amor, apostas e (in)conformidades

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Pesquisa de campo

Dê um rolê por aí e observe os casais.

Repare: sozinhos, assim como você, porém a dois. Alguns, certamente, sustentando algo que talvez já não valha a pena. Uma relação suspensa por aparelhos: filhos, rotina, medo de se dar mal em um divórcio.

“O que seria, para você, a coisa mais insuportável se tivesse de voltar a estar solteiro?”, você poderia perguntar a eles.

“É para um trabalho acadêmico.”

As mais variadas respostas virão, mas ninguém saberá ser tão certeiro admitindo que é:

“Não ter mais com quem compartilhar suas solidões.”

Considerações acerca da teimosia

Não há sinal algum de uma regra ou lei em vigor nesta realidade que prometa a sorte aos que a “merecem”.

Perante essa constatação, muitos amargam, enquanto outros muitos podem fazer as pazes com sua existência (“O que não tem solução, solucionado está”).

Acontece que a razão resolve a questão em si, mas não o indivíduo.

O incômodo não cessa nunca.

O mantra “Eu mereço!”“Eu mereço!” não precisa ser entoado em voz alta ou mentalmente para dirigir sua vida.

Assim, teimamos, pois é mais forte que nós.

Do vício em caça-níqueis

Certa vez, num cassino clandestino de fundo de bar — nosso ponto de encontro —, virei-me para meus companheiros e cometi o que fui descobrir ser uma heresia. Expressei em voz alta:

“Lavaram nossos cérebros para pensarmos no amor como alinhamento do cosmos, como ressonância de almas... ou qualquer outra baboseira messiânica de mesma estirpe. Tudo para que continuemos escravos em vícios feito este, amigos. Tudo para que vivamos nessa busca incansável por um jackpot.”

Nesse dia eu tomei um cacete.

Nenhum discurso antivício poderia ser expresso naquele lugar.

No limbo

Queria voltar ao tempo em que escutar o quanto eu era “bom” me envaidecia...

Uma vez mais ela atraca no cais.

Uma vez mais... e eu sinto todo resquício de honra que eu ainda tinha escoar

enquanto tento negociar minha passagem.

“Só quero atravessar. Tanto faz se irei para o céu ou o inferno.”

Como quem pede desculpas, ela diz o quão bom e o quão incrível sou, enquanto rema a barca para longe novamente, até mais uma vez desaparecer no nevoeiro.

...

Concluí, desta vez, que tenho que investir em qualidades imediatamente opostas às que construí até aqui.

Só para ser destinado a algum fim, vou ser mais canalha.

Eu era um sujeito bem mais romântico num passado não muito distante. Verdade! Nem sempre fui esse cínico “pós-romântico” que escreve coisas como esta:

“Prezados(as): se é preciso, todo santo dia, conquistar alguém que você chama de ‘seu’ ou ‘sua’, então você não conquistou #@$💀 nenhuma.”

Esta:

“Só o amor mesmo para fazer alguém dizer, com orgulho, que está ‘comprometido’, ou seja, avariado, danificado, sem salvação.”

Ou esta:

“’Fazer amor’ é apenas sexo enfeitado — romantizado e mascarado como transcendência.”

Não me considero, embora possa lhe parecer, um amargurado. Na real, sinto que estou bem longe disso.

Hoje estou solteiro — como sempre estive, aliás. A falta de perspectiva de sair desse estado civil algum dia dói, mas consigo achar consolações nessa condição. Quem me garante que, se eu hoje estivesse namorando ou casado, estaria mais feliz? Menos estressado? Relacionamentos não livram ninguém das aporrinhações e infortúnios da vida. E, já que, vivendo, querendo ou não, eu vou ter que sofrer, que ao menos eu saiba transformar minhas desilusões em matéria para minhas artes e reformas pessoais.

_robsings

Post original feito no Substack
https://zonasliminares.substack.com/

u/rob_sings — 7 days ago

Frase - _robsings

⁠Demorar ao avaliar qualquer coisa é, nesse mundo reativo e tão apressado em tirar conclusões, uma das atitudes mais disruptivas que você pode ter.

reddit.com
u/rob_sings — 29 days ago

A dor de ser uma exceção

A dor de ser uma exceção é ser, ora sim, ora também, arrastada e misturada com todo o restante do balaio — eclipsada por ser considerada semelhante aos olhos mais apressados.
E talvez sejam justamente aqueles que mais se apressam em taxar e rotular, para depressa desprezar, os que no fim mais perdem com tudo isso. Afinal, é nessa pressa que acabam jogando fora as oportunidades que mais ansiavam; ou, no campo dos relacionamentos, as pessoas que realmente poderiam ser algo em suas vidas.⁠

reddit.com
u/rob_sings — 29 days ago

Em uma sala secreta dentro da Catedral da Sé

Ali está! Sempre pontual!

08:08 e ali você está.

Te captamos pelas câmeras da cidade.

Esse dia foi o que levantou nossas suspeitas.

Você estava caminhando com uma pasta repleta de currículos. Saiu da estação Anhangabaú e entrou numa lanchonete — lanchonete que, por alguma razão do... acaso... é também a favorita do seu atual chefe.

Se conheceram falando do quê? Dos times do coração? Era o Palmeiras?

Por coincidência também tinham outros gostos em comum e pediram ao mesmo tempo um pão na chapa e um pingado.

Então você, que segundo puxamos estava há anos desempregado e fodido, de repente arranja um emprego. O patrão foi tanto com sua cara que de lá já te chamou para visitar a empresa.

Detalhe: uma das garçonetes te passou o WhatsApp na saída — mas você pelo jeito não deu muita bola, né?

Afinal, aparentemente do nada tinha se tornado um garanhão. Do nada largou de ser um NPC.

13:31 — por algum motivo você sempre surge em nossas câmeras quando horas e minutos estão espelhados.

Saiu caminhando pimpão pela Praça São Bento e ao acaso esbarrou nessa morena.

Ah lá, bonita, ein? Elegante.

Derrubou a pasta lotada de papéis, tocou por acidente sua mão... - Que clichê!

“Ah, vem cá!”

“Muah!”

“Hmm!”

Haha!

Ali você dando uns amassos nela.

Tu é foda, ein?

E então — 21:12, o mais estranho de tudo.

Após seu primeiro dia no novo trabalho, feliz, você saiu andando feito um flâneur despreocupado pelo centro da Sé.

Da Sé!

O lugar mais sinistro para um passeio noturno.

Circulou toda a área e, antes de descer na estação, passou pela frente do chafariz — aquele onde os mendigos tomam banho — e tudo isso sem um sequer vir te ameaçar, te perseguir ou mesmo só te abordar.

...

Veja, você há de convir que tudo isso é muito estranho — ainda mais para um CLT. Como assim a cidade não te amassou? Tem coisa aí!

Ainda mais para um guri que até então era só um nerd enclausurado num quarto na periferia de São Paulo.

Então desembucha, muleque!

De onde veio essa sorte repentina?

Fez algum pacto com o diabo? O coisa ruim? O tinhoso?

Ouça! nós temos autorização do Vaticano para tirar essas respostas de você.

>

reddit.com
u/rob_sings — 3 months ago

Em uma sala secreta dentro da Catedral da Sé

Ali está! Sempre pontual!

08:08 e ali você está.

Te captamos pelas câmeras da cidade.

Esse dia foi o que levantou nossas suspeitas.

Você estava caminhando com uma pasta repleta de currículos. Saiu da estação Anhangabaú e entrou numa lanchonete — lanchonete que, por alguma razão do... acaso... é também a favorita do seu atual chefe.

Se conheceram falando do quê? Dos times do coração? Era o Palmeiras?

Por coincidência também tinham outros gostos em comum e pediram ao mesmo tempo um pão na chapa e um pingado.

Então você, que segundo puxamos estava há anos desempregado e fodido, de repente arranja um emprego. O patrão foi tanto com sua cara que de lá já te chamou para visitar a empresa.

Detalhe: uma das garçonetes te passou o WhatsApp na saída — mas você pelo jeito não deu muita bola, né?

Afinal, aparentemente do nada tinha se tornado um garanhão. Do nada largou de ser um NPC.

13:31 — por algum motivo você sempre surge em nossas câmeras quando horas e minutos estão espelhados.

Saiu caminhando pimpão pela Praça São Bento e ao acaso esbarrou nessa morena.

Ah lá, bonita, ein? Elegante.

Derrubou a pasta lotada de papéis, tocou por acidente sua mão... - Que clichê!

“Ah, vem cá!”

“Muah!”

“Hmm!”

Haha!

Ali você dando uns amassos nela.

Tu é foda, ein?

E então — 21:12, o mais estranho de tudo.

Após seu primeiro dia no novo trabalho, feliz, você saiu andando feito um flâneur despreocupado pelo centro da Sé.

Da Sé!

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Circulou toda a área e, antes de descer na estação, passou pela frente do chafariz — aquele onde os mendigos tomam banho — e tudo isso sem um sequer vir te ameaçar, te perseguir ou mesmo só te abordar.

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Ainda mais para um guri que até então era só um nerd enclausurado num quarto na periferia de São Paulo.

Então desembucha, muleque!

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*Todos os direitos reservados a @_robsings

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Em uma sala secreta dentro da Catedral da Sé

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Te captamos pelas câmeras da cidade.

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Você estava caminhando com uma pasta repleta de currículos. Saiu da estação Anhangabaú e entrou numa lanchonete — lanchonete que, por alguma razão do... acaso... é também a favorita do seu atual chefe.

Se conheceram falando do quê? Dos times do coração? Era o Palmeiras?

Por coincidência também tinham outros gostos em comum e pediram ao mesmo tempo um pão na chapa e um pingado.

Então você, que segundo puxamos estava há anos desempregado e fodido, de repente arranja um emprego. O patrão foi tanto com sua cara que de lá já te chamou para visitar a empresa.

Detalhe: uma das garçonetes te passou o WhatsApp na saída — mas você pelo jeito não deu muita bola, né?

Afinal, aparentemente do nada tinha se tornado um garanhão. Do nada largou de ser um NPC.

13:31 — por algum motivo você sempre surge em nossas câmeras quando horas e minutos estão espelhados.

Saiu caminhando pimpão pela Praça São Bento e ao acaso esbarrou nessa morena.

Ah lá, bonita, ein? Elegante.

Derrubou a pasta lotada de papéis, tocou por acidente sua mão... - Que clichê!

“Ah, vem cá!”

“Muah!”

“Hmm!”

Haha!

Ali você dando uns amassos nela.

Tu é foda, ein?

E então — 21:12, o mais estranho de tudo.

Após seu primeiro dia no novo trabalho, feliz, você saiu andando feito um flâneur despreocupado pelo centro da Sé.

Da Sé!

O lugar mais sinistro para um passeio noturno.

Circulou toda a área e, antes de descer na estação, passou pela frente do chafariz — aquele onde os mendigos tomam banho — e tudo isso sem um sequer vir te ameaçar, te perseguir ou mesmo só te abordar.

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Veja, você há de convir que tudo isso é muito estranho — ainda mais para um CLT. Como assim a cidade não te amassou? Tem coisa aí!

Ainda mais para um guri que até então era só um nerd enclausurado num quarto na periferia de São Paulo.

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José Roberto dos Santos | _robsings

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u/rob_sings — 3 months ago
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Em uma sala secreta dentro da Catedral da Sé

Ali está! Sempre pontual!

08:08 e ali você está.

Te captamos pelas câmeras da cidade.

Esse dia foi o que levantou nossas suspeitas.

Você estava caminhando com uma pasta repleta de currículos. Saiu da estação Anhangabaú e entrou numa lanchonete — lanchonete que, por alguma razão do... acaso... é também a favorita do seu atual chefe.

Se conheceram falando do quê? Dos times do coração? Era o Palmeiras?

Por coincidência também tinham outros gostos em comum e pediram ao mesmo tempo um pão na chapa e um pingado.

Então você, que segundo puxamos estava há anos desempregado e fodido, de repente arranja um emprego. O patrão foi tanto com sua cara que de lá já te chamou para visitar a empresa.

Detalhe: uma das garçonetes te passou o WhatsApp na saída — mas você pelo jeito não deu muita bola, né?

Afinal, aparentemente do nada tinha se tornado um garanhão. Do nada largou de ser um NPC.

13:31 — por algum motivo você sempre surge em nossas câmeras quando horas e minutos estão espelhados.

Saiu caminhando pimpão pela Praça São Bento e ao acaso esbarrou nessa morena.

Ah lá, bonita, ein? Elegante.

Derrubou a pasta lotada de papéis, tocou por acidente sua mão... - Que clichê!

“Ah, vem cá!”

“Muah!”

“Hmm!”

Haha!

Ali você dando uns amassos nela.

Tu é foda, ein?

E então — 21:12, o mais estranho de tudo.

Após seu primeiro dia no novo trabalho, feliz, você saiu andando feito um flâneur despreocupado pelo centro da Sé.

Da Sé!

O lugar mais sinistro para um passeio noturno.

Circulou toda a área e, antes de descer na estação, passou pela frente do chafariz — aquele onde os mendigos tomam banho — e tudo isso sem um sequer vir te ameaçar, te perseguir ou mesmo só te abordar.

...

Veja, você há de convir que tudo isso é muito estranho — ainda mais para um CLT. Como assim a cidade não te amassou? Tem coisa aí!

Ainda mais para um guri que até então era só um nerd enclausurado num quarto na periferia de São Paulo.

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José Roberto dos Santos | _robsings

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u/rob_sings — 3 months ago
▲ 8 r/PorLetras+2 crossposts

A dor de ser uma exceção

Herdamos um mundo que nos aparenta ser, muitas vezes, somente caos, mal e decadência. De modo que mal dá para culpar aqueles mais niilistas entre nós. Embora míopes, eles têm sua razão. O mundo anda uma merda. Só que AINDA é imensamente injusto reduzi-lo a apenas mazelas e desgraças. Ainda há beleza, ainda há bondade, e ainda há pessoas que valem a pena. Nem todos são filhos da puta, mas vale a pena convencer os mais descrentes na humanidade disso? Talvez não, mas vale apontar para eles a armadilha na qual estão caindo.

Vivemos sob o império daquilo que mais nos escandaliza. Daquilo que prevalece em nossa percepção após 1 hora de noticiário ou de rolagem nas redes sociais.

Nisso, como fica o peso de eventuais boas notícias — raras nos noticiários — em contraste com as coberturas do Jornal Nacional, do Balanço Geral ou do Cidade Alerta?

Passam quase sempre despercebidas. Isso quando são noticiadas, pois é evidente que boas notícias definitivamente não dão IBOPE. E bem, esse exemplo por si só já ilustra muito bem o que significa ser uma “exceção” nessa sociedade.

Compreende-se como exceção aquilo — ou aquela pessoa — que foge a uma regra, um padrão “estabelecido”, ou a um contingente superior. Uma bolinha vermelha entre as amarelas; um evento atípico, excepcional; o dissidente político; o animal desgarrado de seu bando… Notem bem como cada uma dessas coisas enumeradas reverbera solidão. É isso que estará esperando por você quando, por escolha ou acaso, se tornar destoante.

A dor de ser uma exceção é ser, ora sim, ora também, arrastada e misturada com todo o restante do balaio — eclipsada por ser considerada semelhante aos olhos mais apressados.

E talvez sejam justamente aqueles que mais se apressam em taxar e rotular, para depressa desprezar, os que no fim mais perdem com tudo isso. Afinal, é nessa pressa que acabam jogando fora as oportunidades que mais ansiavam; ou, no campo dos relacionamentos, as pessoas que realmente poderiam ser algo em suas vidas.

Há um conceito que pertence à psicologia cognitiva chamado heurística da disponibilidade, também conhecido como viés da disponibilidade — eis a armadilha.

Heurísticas e vieses não são exatamente sinônimos, mas é um tanto complicado distinguir um do outro na prática. Em resumo, são atalhos mentais. Qualificam — digamos assim — as nossas tendências cognitivas. Para ser mais preciso com as definições: a heurística/viés da disponibilidade é a nossa tendência a julgar a probabilidade de algo pela facilidade com que exemplos nos vêm à mente. É heurística quando você lida com o atalho mental de maneira funcional; é viés quando lida de forma disfuncional. Vale acrescentar também que é nessa distinção que mora a raiz cognitiva dos nossos preconceitos.

Para que seja possível resgatar exceções, devemos antes avaliar demoradamente os contextos ou as circunstâncias em que estão perdidas ou eclipsadas. Afinal, a validade de uma exceção é sempre relativa ao padrão que a produz — e esses padrões são mutáveis.

Demorar ao avaliar qualquer coisa é — nesse mundo reativo e tão apressado em tirar conclusões — uma das atitudes mais disruptivas que você pode ter. Por sinal, só por isso, por essa atitude, você corre o risco de se tornar, em comparação com aqueles que seguem buscando oportunidades para destilarem seus ódios, preconceitos e imbecilidades, uma exceção.

* Todos os direitos reservados.

José Roberto dos santos | _robsings

Texto original postado no Substack: https://substack.com/@zonasliminares

u/rob_sings — 3 months ago
▲ 0 r/POESIA

Martírio

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Era só questão de sumir,
até a poeira abaixar,
deixar o tempo consumir,
devorar-se a si mesmo,
que ele te ajudaria
a arremessar toda a sua carga do penhasco.

...

Melhor que uma carta de remissão:
a fuga, mais o tempo, mais o anonimato
precederiam um bom recomeço.
Barba e cabelo compridos,
e mais um chapéu para sua ocultação.

Você poderia estar agora
vivendo tranquilamente
na fronteira, ou em um país vizinho,
ou em qualquer cidade pequena
que lhe servisse de refúgio e esconderijo,
casado, criando seus filhos,
cuidando do campo, do gado...

Mas aqui está você.

Como vai você neste velho e eterno martírio?

Com qual desculpa você se consola agora,
quando vê a pedra rolando novamente montanha abaixo?

>

https:://zonasliminares.substack.com/

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u/rob_sings — 3 months ago
▲ 0 r/Poemas

Martírio

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Era só questão de sumir,
até a poeira abaixar,
deixar o tempo consumir,
devorar-se a si mesmo,
que ele te ajudaria
a arremessar toda a sua carga do penhasco.

...

Melhor que uma carta de remissão:
a fuga, mais o tempo, mais o anonimato
precederiam um bom recomeço.
Barba e cabelo compridos,
e mais um chapéu para sua ocultação.

Você poderia estar agora
vivendo tranquilamente
na fronteira, ou em um país vizinho,
ou em qualquer cidade pequena
que lhe servisse de refúgio e esconderijo,
casado, criando seus filhos,
cuidando do campo, do gado...

Mas aqui está você.

Como vai você neste velho e eterno martírio?

Com qual desculpa você se consola agora,
quando vê a pedra rolando novamente montanha abaixo?

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u/rob_sings — 3 months ago

Martírio

Era só questão de sumir,
até a poeira abaixar,
deixar o tempo consumir,
devorar-se a si mesmo,
que ele te ajudaria
a arremessar toda a sua carga do penhasco.

...

Melhor que uma carta de remissão:
a fuga, mais o tempo, mais o anonimato
precederiam um bom recomeço.
Barba e cabelo compridos,
e mais um chapéu para sua ocultação.

Você poderia estar agora
vivendo tranquilamente
na fronteira, ou em um país vizinho,
ou em qualquer cidade pequena
que lhe servisse de refúgio e esconderijo,
casado, criando seus filhos,
cuidando do campo, do gado...

Mas aqui está você.

Como vai você neste velho e eterno martírio?

Com qual desculpa você se consola agora,
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▲ 3 r/Portuguese+1 crossposts

Martírio

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Era só questão de sumir,
até a poeira abaixar,
deixar o tempo consumir,
devorar-se a si mesmo,
que ele te ajudaria
a arremessar toda a sua carga do penhasco.

...

Melhor que uma carta de remissão:
a fuga, mais o tempo, mais o anonimato
precederiam um bom recomeço.
Barba e cabelo compridos,
e mais um chapéu para sua ocultação.

Você poderia estar agora
vivendo tranquilamente
na fronteira, ou em um país vizinho,
ou em qualquer cidade pequena
que lhe servisse de refúgio e esconderijo,
casado, criando seus filhos,
cuidando do campo, do gado...

Mas aqui está você.

Como vai você neste velho e eterno martírio?

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