




O PT e o Lulismo são os principais responsáveis pela polarização no Brasil
O Partido dos Trabalhadores (PT) e seus eleitores têm grande responsabilidade na polarização no Brasil. Na minha visão, são como um corpo só, porque o petismo se tornou um dos principais lados dessa disputa. Desde sua fundação, o PT possui discursos marcados pela ideia de "nós vs. eles", colocando o povo e os trabalhadores de um lado e seus adversários do outro. Isso é um problema, pois a disputa política se transforma numa disputa moral, onde um lado representa o bem e o outro o mal; dentro do Senado, Câmara ou gestão, obviamente, era diferente, o Lula sabia jogar; mas aquela lógica (bem vs. mal) passou do debate, fazendo com que a defesa do partido e de Lula se elevasse sobre a análise crítica de suas ações. Não é à toa que vemos no petismo, desde 2010, uma espécie de religiosidade na política, uma devoção à figura do Lula e uma dificuldade de reconhecer os erros do partido. Digo que isso é uma consequência necessária do marxismo-leninista, pois certas características do discurso político favorecem esse comportamento.
O problema é que essa lógica passou a não ser restrita ao PT. O antipetismo também cresceu, principalmente a partir de 2014, e a eleição de 2018 mostrou o quanto essa rejeição havia se tornado uma força política capaz de eleger Bolsonaro, que soube ocupar esse espaço e rivalizar com o partido. Essa disputa, fortalecida inicialmente e principalmente pelo lulismo e também posteriormente pelo bolsonarismo, consolidou uma política em que cada lado passou a enxergar o outro como uma ameaça ao país. É claro que a ascensão de Bolsonaro não pode ser explicada exclusivamente pelas escolhas do PT, pois a crise econômica, o desgaste do governo Dilma, o impeachment, a Lava Jato e a reorganização da direita também tiveram seu papel. Ainda assim, não faz sentido ignorar a contribuição histórica do PT para esse antagonismo. Dilma concorreu em 2014, Haddad em 2018 e Lula voltou em 2022, evidenciando a dependência do partido em relação à sua principal liderança. O PL, por sua vez, tornou-se um dos principais instrumentos partidários do bolsonarismo após a filiação de Bolsonaro em 2021, aproveitando esse caminho consolidado pelo petismo de "nós vs. eles".
No fim, chegamos a uma polarização miserável, em que muitas vezes a preocupação não é discutir propostas, princípios ou resultados, mas impedir que o outro lado vença. O PT teve sua parcela de responsabilidade nisso, inclusive pela dificuldade de construir uma alternativa que dialogasse além de sua própria base. Se tivesse aberto as portas para uma liderança menos dependente de Lula e capaz de conversar com os dois lados, talvez o antipetismo não tivesse crescido nas mesmas proporções. Não há como afirmar que isso impediria a ascensão de Bolsonaro, mas é razoável questionar até que ponto as escolhas do PT contribuíram para fortalecer justamente o cenário do qual seus adversários se aproveitaram.