Sou babaca por não querer saber da história do país da minha (ex) namorada?
Antes de tudo, queria ressaltar que sou portuguesa (19F). Mas, como não temos um sub do tipo na tuga, estou a postar aqui. Até porque a minha ex era brasileira (21F).
Para contextualizar, ela estuda história. Eu estudo medicina. Terminamos por motivos que não interessam à postagem, mas, quando as coisas estavam a piorar entre nós ela mostrava-se extremamente desapontada e até chateada por eu não saber muito além de que o colonialismo foi péssimo (senso comum) e que foi D. Pedro que proclamou a independência do Brasil. Literalmente era tudo o que eu sabia. Ela afirmava que esse “gap” cultural era algo que nos afastava. Só que, adivinhem, ela cobrava que eu soubesse de fio a pavio a história do país dela, sendo que ela não sabia nada, mas absolutamente nada sobre o meu e era ela quem estudava história. Eu tive que lhe explicar (e fi-lo tranquilamente, sem qualquer problema) que o feriado de 25 de abril marcava o fim da ditadura em Portugal e isso até é algo relativamente recente, com pouco mais de 50 anos. Sendo que ela parecia particularmente afrontada de ter de me explicar alguma situação da história do Brasil que tinha acontecido há 300 anos quando eu não sabia, como se eu tivesse a obrigação de o saber. Parecia haver double standards: eu tinha de saber da história dela, mas ela não precisava de saber da minha. E, tipo, sinceramente eu não ligava que ela não soubesse nada sobre Portugal, para mim não afetava a relação. Mas para ela parecia uma grande coisa.
Para lhe fazer a vontade e evitar discussões eu li um dos livros maçantes de história que ela usava na faculdade, de 500 páginas. Eu fingia estar a gostar de ler aquilo e até conversava com ela sobre os eventos para lhe provar que realmente tinha lido, mas só eu sabia o quão insuportável e terrificamente chato eu achava aquele livro. Eu gosto de ler, mas ficção. Senti-me tão hipócrita. Eu sou da área das ciências, não de humanas. Sei que conhecimento não ocupa lugar, mas senti que estava a fazer aquilo mais para o relacionamento não terminar do que por vontade própria, até porque se eu quisesse saber um pouco mais sobre a história de um país, assistiria um documentário. Penso que nem os conterrâneos dela soubessem tanto quanto ela me exigia e que eu aprendi com aquele livro. Felizmente terminamos antes de eu terminar de ler o livro. Foi um alívio, não aguentava mais ler aquilo.
Mas, digam-me, sendo imparciais e ignorando o ímpeto de defender a vossa conterrânea, se fui eu a babaca.